domingo, 7 de setembro de 2014

A ciência já fez excelentes contribuições nas áreas da saúde e da tecnologia médica. “Menos pessoas [nos Estados Unidos] morrem de doenças infecciosas ou de complicações no parto”, informa a revista Scientific American Brasil. “A mortalidade infantil diminuiu 75% desde 1960.” Mas a ciência tem feito pouco progresso em aumentar a expectativa de vida dos adultos. “Mesmo após décadas de pesquisa, o envelhecimento permanece em grande parte um mistério”, diz outra edição de Scientific American Brasil. No entanto, “evidências sugerem que o envelhecimento pode ocorrer quando há um descontrole nos programas genéticos que o determinam”. O artigo continua: “Se o envelhecimento é basicamente um processo genético, é provável que algum dia possa ser controlado.”
Em seus esforços para tentar descobrir os fatores por trás do envelhecimento e das doenças relacionadas a esse processo, alguns cientistas estão se voltando para um ramo da genética chamado epigenética. O que é epigenética?
Células vivas contêm informações genéticas necessárias para a produção de novas células. Boa parte dessas informações pode ser encontrada no genoma, isto é, nos genes contidos no DNA. Recentemente, porém, cientistas têm analisado mais a fundo outra série de mecanismos dentro da célula: o epigenoma, palavra que pode significar “em cima do genoma”. A epigenética é o estudo desse surpreendente conjunto de mecanismos químicos.
As moléculas que formam o epigenoma não são nada parecidas com o DNA. Ao passo que o DNA lembra uma escada em espiral, ou dupla hélice, o epigenoma é basicamente um sistema de marcadores químicos, ou etiquetas, que se prendem ao DNA. Qual é o papel do epigenoma? Como um maestro conduzindo uma orquestra, o epigenoma conduz o modo como as informações genéticas no DNA são usadas. Os marcadores moleculares ativam ou desativam grupos de genes em resposta às necessidades da célula e a fatores externos, como alimentação, estresse e toxinas. Descobertas recentes envolvendo o epigenoma provocaram uma revolução nas ciências biológicas, associando fatores epigenéticos a doenças específicas e até mesmo ao envelhecimento.
A Dra. Nessa Carey, pesquisadora na área de epigenética, comentou: “[Fatores epigenéticos] estão por trás de doenças desde esquizofrenia a artrite reumatoide, e desde câncer a dor crônica.” Eles “com certeza influenciam o processo de envelhecimento”. Assim, pesquisas nessa área podem levar a tratamentos eficazes para melhorar a saúde e combater doenças — incluindo o câncer —, consequentemente aumentando a expectativa de vida. Mas, por enquanto, não se tem previsão de avanços significativos. “Ainda não conseguimos nos livrar do velho método [para combater o envelhecimento]”, diz Carey, “muita verdura e legume” e “bastante exercício”.


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